O mistério eterno do Universo é a sua compreensão.”
(ALBERT EISTEIN)

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terça-feira, 5 de agosto de 2014

A Natureza do Caminho Interior


A NATUREZA DO CAMINHO INTERIOR
( de Eckhart Tolle)

            Dependemos da natureza não só para a nossa sobrevivência física.
          Também necessitamos da Natureza, para que nos ensine o caminho para “CASA”, o caminho de saída da prisão das nossas mentes.
          Nós nos perdemos no “FAZER”, no “PENSAR”, no “RECORDAR” e no “ANTECIPAR”.
          Estamos perdidos em um complexo labirinto, em um mundo de problemas.
          Temos esquecido daquilo que as Rochas, as Plantas e os Animais já sabem.
          Nós nos esquecemos de SER: de ser NÓS MESMOS, de estar EM SILÊNCIO, de estar onde a VIDA está.
          AQUI E AGORA!
          Levar a sua ATENÇÃO a uma Pedra, a uma Árvore ou a um Animal, não significa “pensar neles”, senão simplesmente PERCEBÊ-LOS, dar-se conta deles.
          Então eles lhes transmitem algo da sua Essência. Você sente o quão profundamente descansa no SER, completamente unificado com aquilo que você é e com o lugar onde está.
          Ao se dar conta disso você também entra num lugar de profundo repouso dentro de si mesmo.
          Quando caminhar ou descansar na Natureza, honra este Reino, permanecendo nele plenamente.
          SERENE-SE.
          OLHE.       
          ESCUTE.
          Observa como que cada Planta e animal são completamente eles mesmos.
Diferente dos humanos, eles não estão divididos em dois.
          Não vivem através de imagens mentais de si mesmos, e por isso não têm que se preocupar em proteger e potenciar essas imagens.
          Todas as coisas naturais, além de estarem unificadas consigo mesmas, estão unificadas com a Totalidade.
          Não se separam do entremeado da Totalidade, reclamando uma existência separada: “EU”, o grande criador de conflitos.
          Você não criou o seu corpo, e tampouco e capaz de controlar suas funções corporais.
          Em seu corpo atua uma Inteligência maior que a Mente Humana. É a mesma Inteligência que sustenta tudo na Natureza.
          Para se cercar ao máximo a essa Inteligência, seja consciente do seu próprio campo energético interno, SENTE a VIDA, a  PRESENÇA que anima o seu organismo.
          Quando percebe a Natureza tão só através da Mente, através do Pensamento, você não pode sentir a sua plenitude de vida, o seu Ser.
          Unicamente vê a forma e não é consciente da vida que a anima, do Mistério Sagrado.
          O Pensamento reduz a Natureza a um bem de consumo, a um meio de conseguir benefícios, conhecimento ou algum outro propósito prático.
          Observe, sente um Animal, uma Flor, uma Árvore, e veja como descansam no Ser.
          Cada um deles é ele mesmo. Possuem uma enorme dignidade, inocência, santidade.
          No momento em que olha mais além dos rótulos mentais, você sente a dimensão inefável da Natureza, que não pode ser compreendida pelo pensamento.
          É uma harmonia, uma sacralidade que além de compreender a Totalidade da Natureza, também está dentro de você.
          O Ar que respira é natural, como o próprio processo de respirar.
          Dirige a atenção a sua  respiração e se dê conta de que não é você quem respira.
          A respiração é natural.
          Conecte-se com a Natureza do modo mais intimo e interno, percebendo a sua própria respiração e aprendendo a manter a sua atenção nela.
          Esta é uma prática muito curativa e energizante.
          Produz uma transformação de Consciência, que lhe permite passar do mundo conceitual do Pensamento ao campo da Consciência Incondicionada.
          Você necessita que a Natureza lhe ensine e lhe ajude a se reconectar com o Seu Ser.
          Você não está separado da Natureza.
          Todos somos parte da Vida Única que se manifesta através das incontáveis formas em todo o Universo, formas que estão, todas elas, completamente interconectadas.
          Quando você reconhece a Sacralidade, a Beleza, a incrível Quietude e Dignidade nas quais uma Flor ou uma Árvore existem, você agrega algo a essa flor ou a essa árvore.
          Pensar é uma etapa na evolução da vida.
          A Natureza existe em uma Quietude Inocente que é anterior à aparição do pensamento.
          Quando os Seres Humanos se aquietam vão mais além do pensamento.
          A Quietude que está mais além do Pensamento contém uma dimensão ampliada de conhecimento, de consciência.
          A Natureza pode leva-lo à Quietude.
          Este é o Presente Dela para Você.
          Quando você percebe a Natureza e se une a Ela no campo da Quietude, ela se preenche da sua consciência.
          Este é o Seu Presente para a Natureza.
          Através de Você a Natureza toma consciência de si mesma.
          É como se a Natureza estivesse esperando  VOCÊ durante milhões de anos para fazê-lo.
         
         
         


          

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Carta do Cacique Seattle

Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano


NO ANO DE 1854, O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS FEZ À UMA TRIBO INDÍGENA A PROPOSTA DE COMPRAR GRANDE PARTE DE SUAS TERRAS, OFERECENDO, EM CONTRAPARTIDA, A CONCESSÃO DE UMA OUTRA"RESERVA". O TEXTO DA RESPOSTA DO CHEFE SEATLE, DISTRIBUÍDO PELA ONU (PROGRAMA PARA O MEIO AMBIENTE) E AQUI PUBLICADO, TEM SIDO CONSIDERADO, ATRAVÉS DOS TEMPOS, COMO UM DOS MAIS BELOS E PROFUNDOS PRONUNCIAMENTOS JÁ FEITOS A RESPEITO DA DEFESA DO MEIO AMBIENTE.



Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra?

Essa ideia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas.

Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sucos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem a mesma família.

Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra.

Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo.

O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem a noite e extrai da terra aquilo que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa pra trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas a primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.

E o que resta da vida se um homem não pode ouvir um choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebi seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar as suas crianças que o solo a seus pés, é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças, o que ensinamos as nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo que acontecer a terra, acontecerá aos seus filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence a terra.

Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo? Desapareceu.
Onde está a águia? Desapareceu.

É o final da vida e o início da sobrevivência
.




(Carta do cacique Seatle, da nação Duwamish, da América do Norte, dirigida em 1855 a Franklin Pierce, presidente dos Estados Unidos. Traduzida por O. Bunning.)
Texto de domínio público distribuído pela ONU



"O QUE OCORRER COM A TERRA,
RECAIRÁ SOBRE OS FILHOS DA TERRA.
HÁ UMA LIGAÇÃO EM TUDO"





terça-feira, 7 de janeiro de 2014

"As plantas são preciosidades nobres, seres do planeta que não são agressivos, são os seres mais evoluídos do planeta. São forças extraordinárias que nos encantam, nos dão vida e nos sustentam."


(Tibirias)

sábado, 2 de novembro de 2013

"Ensinamentos da Natureza"

 

          “Muitas vezes achamos que Deus não quer falar conosco, mas isso não é verdade. Ele fala conosco o tempo todo, nós é que nunca estamos prestando atenção.
          A Natureza é a linguagem de Deus. Aprenda a ouvi-la, e ela lhe dirá tudo o que quer saber. Tudo está o tempo todo bem diante dos nossos olhos. (...)
          Cada vez que você olhar para a Natureza pela perspectiva adequada, ela lhe revelará um segredo. Assista mais vezes ao nascer do sol. Observe as árvores, os pássaros, as pessoas, os insetos, o vento, as estações do ano, a chuva, as montanhas, os desertos, o céu, o mar e as cidades. Encare tudo como uma sinfonia de Deus, e tenho certeza de que você a ouvirá.
          E, quando estiver ouvindo, saberá qual é o seu instrumento e como fazer para harmonizar-se com essa música. Aí terminarão suas angústias e medos, e você estará vivendo plenamente.
          Todos somos especiais. O problema é que muitos de nós criam limites inexistentes e deixam de crescer. São sementes de grandes árvores plantadas em pequenos vasos...  E nenhuma planta consegue crescer mais do que o vaso que a contém. Desenvolver-se implica em liberdade e responsabilidade.
          As outras coisas podem exigir uma procura mais persistente, mas se você não procura-las jamais encontrara. Sem procura não há descoberta.
          Na Natureza existe um momento certo para tudo. Se você pegar dois gravetos e esfregar um contra o outro, o atrito fará a temperatura aumentar. Se continuar esfregando, a temperatura subirá tanto que, em determinado instante, um deles começa a pegar fogo. A partir daí você não precisará mais esfregar, pois o fogo se manterá sozinho.
          A Natureza mostra que temos de manter o esforço durante algum tempo, até o processo atingir seu limiar, depois ele se mantém por si mesmo.
          Você tem de iniciar uma busca conscientemente. Isso exige algum esforço, mas, se sustenta-lo até o limiar, tudo passará a acontecer sozinho. É uma lei natural.
          Somos muito fortes. O que nos aprisiona é a acomodação.

          Somos capazes de fazer coisas incríveis. Somos muito mais fortes, ágeis e inteligentes do que imaginamos. É a acomodação que nos restringe. Ficamos parados, acreditamos que não temos capacidade para vivermos uma vida extraordinária.
          Fica a seu critério desenvolver seus dons e enfrentar a vida. A Natureza só torce por isso.
          O paraíso é o lugar onde nossos sonhos se realizam. E ele pode ser aqui. Só depende de você.”


(Roberto Lopes – trecho do livro: “O CAINHO DA BRUXA”)

         


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Carta a um adolescente



            Você pediu que eu escrevesse sobre a maldade. Foi a primeira vez que uma pessoa me pediu isso. Você foi corajoso e honesto porque falar sobre a maldade é falar sobre nós mesmos. A maldade é algo que mora dentro de nós, à espera do momento certo para se apossar do nosso corpo. Ao pedir que eu falasse sobre a maldade você me pediu que o ajudasse a entender o lado escuro de você mesmo.
            Para a gente entender a maldade é preciso entender, antes, os dois poderes de que somos feitos. Somos feitos de uma mistura de amor e de poder. Amor é um sentimento que nos liga a determinadas coisas, e vai desde o simples gostar até o estar apaixonado. O amor quer abraçar, ficar perto, proteger. Amo meu cachorrinho: quero brincar com ele, tenho saudade dele. Se ele morrer eu vou chorar. Gosto da minha casa. Dói muito – dá raiva – se alguém picha de preto o muro que tinha justo sido pintado de branco. Gosto muito de uma pessoa: pode ser o pai, a mãe, o avô, a namorada. Por causa desse sentimento fico triste vendo que aquela pessoa está triste. O amor faz isso: coloca o outro dentro da gente. O que o outro sente, a gente sente também. Um amigo meu, pedreiro, senhor João, a primeira coisa que fazia quando me visitava em minha casa era salvar, com uma peneira, as abelhas que estavam morrendo afogadas na piscina. Ele sofria com as abelhas.
            Por isso, muitas pessoas são vegetarianas. Elas não suportam pensar na dor por que passam os bichos para que nós nos lambuzemos com a carne deles. Uma pessoa muito querida, que não é vegetariana, não consegue comer frango ao molho pardo. O molho pardo desse frango se faz com sangue – e ela se lembra de haver visto frangos de pescoço cortado, pendurados num gancho, agonizantes, seu sangue vagarosamente pingando num prato. Agora, sempre que ela vê frango ao molho pardo, ela se lembra do sofrimento daquela ave inocente. Os bichos também sofrem.
            O amor nos liga à natureza toda. Eu amo a natureza – os riachos de água limpa, as cachoeiras frias, as matas, com suas samambaias, avencas orquídeas, bananeiras, as borboletas, cigarras, pássaros. Nós, humanos, temos olhos deformados – não percebemos a beleza dos seres que são diferentes da gente. Mas todos eles, inclusive os besouros (que alguns chamam de “bisorros”), as rãs, os lagartos, as marias-fedidas, as taturanas, os urubus – todos eles querem viver, sofrem, fazem parte desse nosso mundo e são necessários à sua existência. Todos eles são nossos irmãos – porque todos nós teremos o mesmo fim. Um dia nós voltaremos à Terra e, quem sabe, renasceremos como besouro ou galinha...
            Aquilo que eu amo eu quero proteger. Proteger o cachorrinho, o muro da casa, a natureza... Às vezes, a gente quer algo anterior ao proteger: a gente quer criar. Você ainda não é pai. Não tem, portanto, nenhum filho para proteger. Chegará um dia, entretanto, em que você desejará ter um filho que você ainda não tem. Para isso é preciso que você tenha os poderes de homem – para semear no ventre de uma mulher a semente do filho que você ama, mas ainda não tem. Você deseja ser (ainda não é) administrador de empresa, cozinheiro, médico ou flautista: você ama essas coisas; mas ainda não é. O amor, sozinho, não faz milagres. Para ser qualquer uma dessas coisas você terá que, devagarzinho, ir desenvolvendo poderes no seu corpo, poderes que tomarão a forma ou de conhecimentos ou de habilidades.
            Quando você tem essas duas coisas juntas, o amor e o poder, coisas muito bonitas acontecem. O poder torna possível a existência daquilo que a gente ama: gero um filho, planto um jardim, construo uma casa. O poder, assim, está à serviço da alegria. Pelo poder eu posso contribuir para que o mundo seja melhor. O poder é o amor, juntos, estão a serviço da preservação da vida.
            Acontece, entretanto, que a vida anda devagar. Leva tempo para uma criança ser gerada. Leva tempo para uma árvore crescer. Por vezes, ao plantar uma árvore, a gente sabe que nunca se assentará à sua sombra.
            Já a morte anda rápido. Mata-se numa fração de segundo. Basta puxar o gatilho. Ou pisar o bicho. Ou quebrar o ovo. Corta-se uma árvore que levou cem anos para crescer em poucos minutos: se for uma bananeira, basta um golpe de facão.
            Você me perguntou sobe a maldade: a maldade é isso – quando as pessoas sentem prazer no ato de destruir, isto é, quando as pessoas sentem prazer no exercício puro do poder, sem que esse poder tenha um objetivo de vida. Bondade é o poder usado para a vida. Maldade é o poder usado para a morte.
            A adolescência é o momento da vida quando se descobrem as delícias do poder. Criança tem amor mas não tem poder. Ela quer o sorvete mas não tem o dinheiro. A mãe segura, põe de castigo, da palmada. A criança é impotente. Na adolescência o corpo se desenvolve. Fica maior que o corpo da mãe, o corpo do pai. Ganha força. Juntos, então, os adolescentes se constituem num exército poderoso. É por isso que os adolescentes gostam de estar juntos: isso lhes dá um sentimento de poder. Há coisas que nunca fariam sozinhos. Mas, em grupo, tudo é permitido. As pessoas mais mansas podem se tornar monstruosas em grupo. No grupo a gente perde o senso da responsabilidade moral.
            Como eu já disso, o poder, como fim em si mesmo, sem um propósito de amor, dá prazer rápido. Quebrar, pichar, riscar, arrancar, bater, cortar, esmagar, derrubar – todas essas são formas do poder-prazer a serviço da morte. É coisa demoníaca.
            Por isso, meu amigo, adolescente, quero confessar uma coisa que nunca confessei: “Tenho medo de vocês”. O fascínio que vocês têm pelo poder me assusta. É isso que é maldade: poder sem amor.
            Eu queria poder dar para vocês, como herança, o ovo onde moram os meus sonhos, na esperança de que vocês continuassem a chocá-lo, depois da minha partida. Sim, o mundo que eu amo se parece com um ovo: está cheio de vida mas é muito frágil. Dentro dele estão coisas delicadas, fáceis de serem destruídas: plantas, insetos, ninhos, aves, músicas, poemas, memórias, livros, peixes, muros brancos, crianças, velhos, jardins...
            Mas eu tenho medo de que vocês não resistam à tentação de quebrar o ovo onde eu e o meu mundo moramos. Como é fácil quebrar um ovo! Fácil e irresistível: nunca mais! Assim, por enquanto, o ovo onde moram os meus sonhos fica sob a minha guarda. Até encontrar os herdeiros que eu espero.



(Rubem Alves. In Correio Popular, Campinas, 24-11-1996)



domingo, 22 de setembro de 2013

“A NATUREZA e a humanidade são uma coisa só. Não podemos aprender sobre uma Natureza holística se excluirmos a humanidade e, da mesma forma, nem abordar a humanidade omitindo a Natureza. Para encontrarmos nosso verdadeiro eu temos que considerar toda vida.”

Trecho do Livro: A NATUREZA E O DESPERTAR DO SEU INTERIOR – UMA AVENTURA ESPIRITUAL – de Michael J. Roads


terça-feira, 17 de setembro de 2013

"A Humanidade e as Tempestades"


“A humanidade pertence á Natureza, não está separada desta consciência. Quando os humanos abusam da Natureza, o efeito disso é prontamente revelado pelo impacto que sofre o meio ambiente. Da mesma forma, se os humanos abusam, física ou mentalmente, um dos outros, o efeito negativo decorrente surge rapidamente, na sua vida diária e nos relacionamentos.”

          “Mais sutil ainda, apesar de não tão poderoso, é o efeito do pensamento negativo no mundo natural. A natureza é afetada pelas atitudes e pensamentos negativos. Os humanos raramente dão-se conta disso. Ainda mais raro é o fato do ser humano considerar a possibilidade de que a qualidade de seus pensamentos pode afetar a natureza.

          “(...). você é parte dessa negatividade. Toda humanidade está envolvida nesse processo, salvo raríssimas exceções. (...)”.

 

          “- A tempestade, proporções infinitas e pavorosas, é a própria humanidade. Reconheço-a como uma manifestação do nosso medo coletivo, fruto da nossa cobiça e da pavorosa negatividade. A luz multicolorida do arco-íris simboliza a nossos ideais humanos mais elevados, enquanto escuridão é nossa própria negatividade. Isso estorva o nosso esforço na luta para atingir a luz - o Amor puro. A nossa negatividade é o obstáculo à evolução espiritual.”

          “– Assim como a fúria do indivíduo culmina com a explosão da sua têmpera, da mesma forma, os temores acumulados, os rancores e a raiva da humanidade desencadeiam toda a força de uma tempestade.”

          “- Os humanos dispõem de talento suficiente para compor uma canção de fina harmonia na atmosfera, mas, ao invés disso, vocês criam tempestades de discórdia. Vocês estão de tal forma desvinculados de sua verdadeira realidade, que não são capazes de recolher suas manifestações negativas. Grande parte das tempestades que acontecem, anda mais são que o reflexo das perturbações psíquicas da humanidade. Tanto as interiores, como as exteriores. As tempestades que ocorrem na natureza estão para a negatividade humana, assim como um floco de neve está para uma gota de ácido.”




“- a negatividade humana é uma força criativa. Eu sempre acreditei que a raiva, a angústia, o rancor e outros sentimentos negativos simplesmente desapareciam quando as circunstâncias em que surgiam eram resolvidas, eu achava que eles se dissipavam. É sábio aprender que esse tipo de energia transforma-se numa força destrutiva que, eventualmente, encontra sua expressão através da violência.

          “Bem, é ainda mais contundente descobrir que aquela energia negativa só encontra seu canal de manifestação retornando à sua origem. Eu não tinha a menor ideia de que causa e efeito operavam ao nível da atmosfera. É ainda mais atemorizante saber que, da mesma forma que o nosso lixo mental acumula-se na atmosfera, ele retorna á sua origem, de forma destrutiva, sob a forma de tempestade. É o efeito de colher aquilo que foi semeado. Imagine só qual seria o efeito ao lidarmos com a alegria e o amor!”
 
 
 

(MICHAEL J. ROADS – “A NATUREZA E O DESPERTAR DO SEU INTERIOR)

 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013


“... ao estabelecermos um contato mais íntimo com o Espírito da Natureza, experimentamos uma transformação em nós mesmos (...) participamos como inteligência construtiva e a nossa integração se completa de acordo com a nossa atitude perante a Natureza.”
 
Trecho do Livro: A NATUREZA E O DESPERTAR DO SEU INTERIOR – UMA AVENTURA ESPIRITUAL – de Michael J. Roads
 

sábado, 17 de agosto de 2013

O diálogo com a Natureza


 

O diálogo com a natureza é profundamente sábio e por demais fascinante. Para melhor sentirmos esse encantamento, vejamos o que dizem dois personagens de Hermann Hesse, durante uma conversa altamente erudita:

 

            “Ama as águas! Não te afaste delas! Aprende o que te ensinam! Conversa com o rio. Ele sabe tudo e tudo podemos aprender dele. Dizem-me, então, se o rio também não comunicou o misterioso fato de que o tempo não existe? Sim, acho que referes ao fato de que o rio se encontra ao mesmo tempo em toda parte, na fonte tanto como na foz, nas cataratas e na balsa, nos estreitos, no mar e na serra, em toda parte, ao mesmo tempo, de que para ele há apenas o presente, mas nenhuma sombra do passado nem do futuro. Não é isso que queres dizer? Sim.

            O rio tem muitas vozes, não é, meu amigo? Não te parece que ele tem a voz de um rei e a de um guerreiro, a voz de um touro e a de uma ave noturna, a voz de uma parturiente e a do homem que suspira, e inúmeras outras ainda? Tens razão. Na sua voz encontram- se as vozes de todas as criaturas. Ele é Deus! Ele é a eternidade! Ele é o mestre dos mestres.”

 

               Quão importante é entender a sua linguagem!

               Depois um desses personagens apanhou uma pedra e displicentemente disse:

 

            “Isto é uma pedra, mas daqui algum tempo talvez seja terra, e da terra se transformará numa planta, ou num animal, ou ainda num homem”. “Em outra época, quem sabe, eu teria dito: “Essa pedra é apenas uma pedra. Não tem nenhum valor. Pertence ao mundo da Maia. Como, no entanto, pode acontecer que, no decorrer do ciclo das metamorfoses, ela se converta num ser e adquira espírito, presto certa atenção a ela. Eis o que, provavelmente eu teria pensado naqueles tempos. Hoje, porém, raciocino assim.  Esta pedra é pedra, mas é também animal, é também Deus, é Buda. Não lhe tributo reverência ou amor, porque ela é um dia talvez possa se tornar isso ou aquilo, senão porque é tudo isso, desde sempre e sempre.”

 

Conversar com a natureza é sentir-se integrado com ela. Integrar-se conscientemente com ela, é viver em harmonia com suas leis, viver em desacordo com os seus princípios reais é sair do equilíbrio planejado e posto em prática pela engenharia cósmica, tal comportamento afasta o homem, particularmente o homem contemporâneo, da sua verdadeira mãe, a Natureza.

 

 

 

(Do livro: IOGA PARA TODOS – De Antenor Batista)
 
 
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

SE A NATUREZA QUER FAZER UM HOMEM

 (“WHEN NATURE A MAN”, De Angela Morgan – tradução e adaptação)

І

Se a Natureza quer fazer um homem
E eletriza o coração de um homem,
E adestrar à força o querer de um Homem.
Se a Natureza que treinar um Homem
Para cumprir uma genial missão;
E quando quer de todo coração,
Criar um homem tão ousado e grande
Que a sua fama ao mundo inteiro mande
- Observai o seu método e caminhos!
Como coroa sempre com espinhos
Aquele com quem ela simpatiza;
Como o desbasta e o martiriza,
E a poderosos golpes o converte
Num esforço de argila que diverte
Somente a Natureza que o compreende.

- Enquanto o torturado coração
Aos céus levanta a suplicante mão! –
Quando o seu bem a Natureza o empreende,
Como o abate, sem jamais quebrar,
Como se serve do que vai sagrar!
Como o derrete e não o deixa em paz,
E com que antes ela sempre o induz
E apresentar ao mundo a sua luz...
A Natureza sabe o que faz!

Π

Se a natureza que pegar um Homem;
E deseja sacudir um Homem,
E se pretende despertar um Homem;
Se a natureza que fazer um Homem
Que, no futuro, cumpra – lhe o decreto,
Quando ela tenta, com habilidade,
Quando deseja e quer com ansiedade,
Fazê – lo rigoroso, são, completo, Com que sagacidade ela o prepara!
Como o aguilhoa com a sua vara,
De que maneira o amola e como o enfeza
E o faz nascer em meio da pobreza...
Com desapontamentos sempre punge
O coração daquele que ala unge;
Com que sagacidade ela o esconde
E oculta, sem olhar ao menos onde,
Soluce embora o gênio, desprezado,
E o seu orgulhe guarde esse passado!
Manda-o combater mais arduamente,
Fá-lo tão solitário, que somente
As mais altas mensagens do Senhor
Consigam penetrar a sua dor!
É assim que a Natureza lhe clareia
Da Hierarquia a impenetrável teia
E, embora ele não possa compreender,
Dá-lhe paixões ardentes a vencer!
Como impiedosamente ela o esporeia,
Com que terrível entusiasmo fere
Se acaso, acerbamente, ela o prefere!

Ш

Se a Natureza quer nomear um homem,
Se ela quer dar fama para um Homem,
E se ela quer domar. Acaso, um Homem;
Quando ela quer dar brio para um Homem;
Executar missão quase celeste,
Quando ela tenta o seu o seu supremo teste
Que há de imprimir a inconfundível marca
- No que há de ser um Deus, ou um monarca –
Quanto o dirige, e quanto que o refreia;
De modo a seu corpo mal contenha
A inspiração ardente que o incendeia;
E a sua ansiosa alma se mantenha
Sempre anelante por um sonho esguio!
Engana com ardis sua esperança;
Lança - lhe em rosto novo desafio,
No instante em que ele o alvo quase alcança!
Faz uma selva – que limpar lhe custe;
Faz um deserto – para que se assuste –
E para que ele o vença, se capaz...
Assim a Natureza um Homem faz!

IV

Então, para provar a sua ira,
Uma montanha em seu caminho atira –
E põe amarga escolha à sua frente:
“Sobe ou perece!” diz – lhe, sorridente
Meditai no mistério da Intenção”
Da Natureza o plano é tão clemente:
Se compreendêssemos a sua mente!
Os que a chamam cega todos são,
Pois, com o pé sangrante e lacerado
É que o Espírito sobe, descuidado,
Com entusiasmo e com vigor dobrado,
Esses caminhos todos, que ilumina
Com essa força ativa, que é divina;
E do ardor maneja a espada de aço,
Para enfrentar o peso do fracasso,
E, mesmo na presença da derrota,
Inda esperança em seu olhar de rota!

V

Eis que é chegada a crise! Eis o grito
Que está a pedir um Chefe ao infinito!
Só quando o povo implora salvação,
É que ele vem governar a Nação...
Então a Natureza diz – nos “Tomem:
Eu lhes entrego, finalmente, um Homem!”




(IN: COMO PERSUADIR, FALANDO, Marques Oliveira, Edições de Ouro. PJ 1970)